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1638 Agosto

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nenhum genero de inimigo do mesmo Estado, ou fossem Rumes, Malavares, ou outras quaesquer nações; e que veja se nos tem restituido os escravos, ou homiziados que passão á terra firme, e que outrosi mande ver os grossos juncões que se tem posto desda sua fortaleza de Bancapur até Sancalim e Bicholim aos Portuguezes, Religiosos, e de mais christãos que fazem seus caminhos, assim nas idas como nas vindas, alem dos agravos, e retenções que lhes fazem por meio de seus Tanadares e capitães.

9. E que outrosi mande ver os resgates e comercios aguadas, e provimentos que seus Tanadares consentem aos mesmos parós, communs inimigos dos christãos, mouros, e de gentios, assim como de todas as mais nações, que navegão, sobre cujos damnos não tem posto cobro, nem dado remedio; e que veja ultimamente a ordem que tem mandado dar aos governadores do Concão sobre a principal queixa, que por vezes lhe tem dado contra os mesmos Olandezes, tão declarados inimigos de ElRey nosso senhor, como se tem visto das batalhas, que á vista de seus proprios vassallos se lhe derão muitos annos proximos; sendo assim que o não são só dos Portuguezes, senão de todas as outras nações, a quem podem roubar, como se vio no verão passado nos vassallos d'ElRey Mogor, da náo que lhe roubarão nesta barra, assim como ha poucos dias á vista de Mascate tomarem outra galiota, que vinha do Sinde carregada de fazendas dos vassallos do mesmo Mogor, como em muitas outras partes, e com exemplos que aqui se não nomeão, e que vós com bom juizo melhor sabereis dizer.

10. Por cujas razões acima referidas heis de mostrar o quanto convem a conservação da paz lançar de qualquer parte do seo reino a estes nossos inimigos, pois tambem o ficão sendo seus; e lhe mostrareis mais a fealdade que cahe sobre hum Rey, que não cumpre palavra nem juramento. E à parte, sem que vos oução pessoas de suspeita, lhe podereis dizer que por elle dito Idalsá observar menos estas condições, e juramento com que se obrigou a ellas, se vio trabalhado, e em parte perseguido do mesmo Mogor, como o es

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tamos vendo com os cercos que lhe tem posto a Visapur, e
com os grossos tributos que lhe paga, e que este Estado o
sente muito, assim pela visinhança, como pela verdadeira
amizade, com que lhe somos obrigados: e outrosi pela mes-
ma falta de fé e palavra, que houve nos ministros do reino
do Decani, guerreando injustamente os Portuguezes, e reco-
lhendo parós debaixo da fortaleza de Dandá, pelejando com
quem os procurava tirar, se viesse a perder aquelle reino na
forma ein que agora o está, e em que elle dito Idalxá se ha-
via de ter havido com irmandade, para que assim se não
viessem ambos a perder.
Á margem deste capitulo está esta nota.

Não se trate deste capitulo, salvo com alguns Abexins, amigos do Estado. =

11. E como de vossa prudencia e curso de negocios confio que vos sabereis haver com todo o respeito e consideração aos negocios desta qualidade, deixo os accidentes a vossa disposição, para os hirdes tratando e dispondo na forma que Sua Magestade fique melhor servido. E outrosi vos recomendo o resguardo e recolhimento de vossa pessoa, assim como de todos os mais homens que vos vão acompanhando, e que por nenhum modo passeem de noite, donde se podem seguir desordens, e a vós desgostos com as haver de o remediar, e para que mais os tenhaes obrigados aos de vossa guarda e acompanhamento, vos dou toda a jurisdição que Sua Magestade concede a seus capitães móres.

12. Não me he presente o sacerdote, que levaes em vossa companhia para administrar sacramentos, assim como o sacrificio da missa, sobre cujo ponto tomareis licença do mesmo Idalxá para se dizer em vossa casa, o que não será sem que a conceda, por não haver algum desgosto ou desmancho por parte de seus mouros; e qualquer que este religioso seja, fareis sempre que esteja em vossa companhia, assim como todos os mais que comyosco vão, ou pelo menos a tão pouca distancia do aposento, que com facilidade possaes saber do procedimento de cada hum.

13. He certo que heis de ter occasiões de me avisar dos

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termos em que se vão pondo estes negocios, e quando sejão Agosto de segredo os que houverdes de tratar comsigo, ordeno que

se vos dê cifra, pelo menos para os nomes de algumas pessoas dos vassallos que lhe assistem, assim como de terras, reis, e naiques visinhos; alem do que procurareis mais que tenha o mesmo segredo quem quer que vos escrever; e se puderdes despedir os taes avisos ocultamente, para que senão saiba o tempo, em que parte, o terei por melhor.

14. Não deixareis, vendovos algum dia com o mesmo Rey sem os de seu conselho, de lhe dizer as injustiças, com que os Tanadares procedem nestas terras debaixo, e o prejuiso de sua coroa em as ter dado a seus conselheiros e capitães, e que melhor será tê-las por si, assim como os seus rendimentos, dando outras do Gate para cima aos referidos seus conselheiros, porque como as arrendão a quem mais dá, e com ellas o poder supremo que usão de tantas exorbitancias quaes se vêm nos castigos, penas, e condenações de seus proprios vassallos, assim como em recolherem os inimigos, de que o Estado se queixa, com que o fazem perjuro a elle Rey, e com menos palavra da que as taes pessoas devem ter, e que as cousas desta qualidade não ficão afeiando a quem as obra, pois se lhe não guarda castigo, senão a quem as consente, e as dissimula: e sobre estes pontos vós hireis obrando conforme o gosto que nelle achardes, ou o sujeito que lhe virdes, porque se ha dez annos que foi visto em estado pueril, hoje já representa idade de varão para ver o que importa.

Á margem tem esta nota=: Que se não trate nesta materia, porem que lhe fique em memoria para como de si responder aos prejuizos, que dos seus mesmos se tem seguido ao reino

15. E sabeis que estes são os pontos, em que mais os embaixadores mostrão sua prudencia, acomodando praticas conforme aos sugeitos, e disposição do tempo; assim como em observar a honra de quem os manda, em se estimar, e se saber preferir, e em tudo mostrar acções do mesmo princepe, de quem he enviado, em cujos negocios espero eu

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obreis com a perfeição, que a todos os ministros deste conselho tem parecido, com os quaes me conformei pelo que de vós confio.

16. Poderseha queixar ElRey Idalsá além da presa de navios, que acima se declarão, da morte de alguns mouros, que se lhe matarão a sangue frio; ao que heis de responder que já o Estado obrou com justiça, mandando logo tirar assim aos capitães, como ao mesmo capitão geral, com os quaes se procedeo com justiça neste tronco, donde hum veio a morrer, e que ainda o mais castigo se espera que o mande dar Sua Magestade, a quem se deo conta, para que elle Idalxá não fique sem satisfação de sua queixa; sendo o que já morreo o irmão do mesmo capitão geral.

17. Hireis advertido em como Mostafacão, principal conselheiro deste Rey, he nosso inimigo declarado, e como tal se mostrou em muitas occasiões, e sobre tudo soberbo com muita privança do mesmo Rey, e grandiosas rendas, que lhe tem dado, assim do Gate para cima, como por a fralda do mar; mas nem por ser este, vos haveis de mostrar sentido na pratica e conversação, que com elle tiverdes, antes vos haveis de haver com grande caricia, fiando que por sua via poderá o Idalsá vir em verdadeiro acordo, e cumprimento de tudo aquillo que foi jurado por seus pai e avós, que não diz bem amizade tão antiga como El Rey consentir em seus portos inimigos de ElRey de Portugal, seu verdadeiro irmão em amizade, e outrosi estendendo as demais praticas conforme o animo que nelle achardes; advertindo mais que não sahe da mão do Idalxá chapa, nem formão, que não seja visto pelo mesmo Mostafacão, com que parece que faz officio de secretario, ou chanceller do mesmo reino, por cuja consideração se entende que com este homem hade ser o principal negocio, e hoje muito mais pelo novo parentesco do Idalxá com elle dito Mostafacão, por lhe aceitar uma filha em desposorio.

18. Tem junto de si o Idalxá outro grande conselheiro, ou por melhor dizer, vedor da fazenda, a que chamão Side Reane, e agora he Calascan, o qual mostra affeição aos Por

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tuguezes, e amizade ao Estado, ou seja em desamor ao referido Mostafacan, ou por se prezar de bem intencionado e verdadeiro no que diz ao mesmo Rei acerca da paz e amizade, cujos pontos levaes advertido para saberdes tratar a cada qual dos dous, mostrando a este quão agradecido estou dos avisos, e boa vontade, com que trata deste Estado, e que a mesma deve caminhar na confirmação e cumprimento da paz, que de antigos annos cursou daquelle Estado com este, estranhando a notavel falta, em que o Idalsá fica, em recolher nossos inimigos contra o que seus avós tem jurado por seu embaixador antigo Zaerbeque, que as foi pedir, e confirmar dentre no reino de Portugal, sendo Rey Ibramo Idalxa, como atraz fica dito; e com estas e outras praticas ireis dispondo a este nosso amigo para o effeito que por este regimento se vos declara.

19. Está na corte do Idalsá hum Antonio da Vite, estrangeiro, e posto que se mostra amigo, e que nos manda aqui algumas cartas, nem por isso vos descobrireis em materias de substencia, antes com muita cautella vos hireis informando delle, assim das praticas, que tem procedido com os rebeldes, como das pessoas que fazem declaradamente suas partes, assim como dos mais que diante d’ElRey estranhão o quebrantamento daquella antiga paz, a que hides pretender se guarde.

20. Sou informado que entre as mercès, que o Idalxá tem feito a Mostafacão, foram humas terras que cabem por baixo do Cabo da Rama, com hum porto, a que chamão Caruar, e que os Olandezes o pedião a Santú Sinay, que deve de estar na propria paragem por ordem do mesmo Mostafacão, sobre cujo negocio fareis mais certa informação do que neste caso se achar, estranhando tanto o de Vingurlá, como de outro qualquer, que os rebeldes pretendão; e não sei de certo se o mesmo Mostafacão tem dado consentimento para o que se pretende por parte do inimigo, e assim vos ordeno que de tudo me vades fazendo aviso na forma referida, para tambem se vos hir ordenando o que mais deveis fazer.

21. Advirtase mais que o reino do Melique está hoje pos

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