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REVISTA TRIMENSAL

DO

INSTITUIO HISTORICO

GEOGRAPHICO S ETILMOGRAPHICO DO BRASIL

FUNDADO NO RIO DE JANEIRO

DEBAIXO DA IMMEDIATA PROTECÇÃO DE S. M. I.
O SENHOR 0. PEORO NI.

TOMO XXVI.

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SR. CONEGO DR. J. C. FERNANDES PINHEIRO,

Lido na sessão do Instituto Historico e Geographico Brasileiro

de 30 de Maio de 1862.

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Senhores. -- Prende-se o mais vivo interesse á tudo quanto é relativo aos jesuitas, cuja historia divisamos rodeada pela aureola do maravilhoso. Benemerito são os que concorrem para a elucidação da verdade, lancando uma restea de critica sobre os nebulosos annaes d'essa celebre instituição. Ninguem ha que não tenha ouvido fallar na famosa republica que os discipulos de Santo Ignacio de Loyola fundaram nas ribas do Paraguay; raros porém são os que a tal respeito formam acerlado juizo no dedalo de contradictorias opiniões pelos mais graves escriptores emittidas. Com o louvavel proposito d'esclarecer este litigioso ponto historico emprehendeu o Sr. conego J. P. Gay, vigario de S. Borja nas missões d’Uruguay a obra cujo exame me foi ordenado pelo Instituto e de que ora venho dar conta.

Começa o digno ecclesiastico o seu trabalho com o descobrimento dos rios da Prata e do Paraguay, relatando todos os obices que tiveram de superar os primeiros exploradores dos quaes pagou um com a vida, seu temerario arrojo. Passa depois á relatar as entradas dos aventureiros portuguezes nas provincias do Paraguay e do Perú em cata d'escravos e do precioso metal que n'essa epocha fazia torvelinhar todas as cabeças. Por necessidade de plano faz rapida resenha do estado do Brasil no anno de 1530, na qual commette algumas

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inexactidões provenientes das fontes a que recorreu, maximè as dos chronistas castelhanos, quasi sempre incorrectos e apai. xonados fallando das cousas de Portugal. Conhece o auctor este lado fraco do seu escripto buscando por vezes rectificar em notas os equivocos do texto. Finda a digressão prosegue em sua narrativa, e relatando as fundações que se efectuaram até o anno de 1620 introduz o leitor nos gabinetes dos governadores e vice-reis que teve o rio da Prata até o anno de 1810.

Retrogradando dous seculos estuda a organisação das tribus conquistadas pelos hespanhóes, examina seus usos e costumes e com o subsidio que lhe ministra a lingua guarani restabelece a verdadeira orthographia de muitos nomes que adulterados corriam. Em seguida traça os limites da provincia jesuitica do Paraguay com amplo conhecimento de causa, colhido em insuspeitas informações, e muitas vezes pelo proprio testemunho ocular.

E' o capitulo quarto dos mais importantes da obra; porque n'elle desceu o seu illustrado auctor á minudencias concernentes aos indios do Paraguay que revelam profundas meditações e assidua leitura dos auctores que d'esta materia mais se occuparam. Com a lealdade que o caracterisa não occulta o Sr. conego Gay os mananciaes em que fôra beber tão provejtosos dados; antes com certa prolixidade os cita e transcreve.

Absorto pelo edificante espectaculo que apresenta a rapida conversão de tantas hordas que ainda ha pouco sem lei alguma vagavam pelas pompas do Prata entða o reverendissimo parocho um hymno á esses esforçados campeões que atravez de mil perigos hasteavam o estandarte da cruz. Compartilhando do seu enthusiasmo commoveu-me a pintura dos apostolicos trabalhos de tão santos varões, e com elle estigmatizo as cruentas invasões da provincia de Guahyra, bem que praticadas pelos bravos e briosos paulistas.

Notando-se pelos chronistas da companhia descreve o Sr.

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vigario Gay o quadro de sua administração civil e ecclesiastica tanto no Paraguay como nas demais reducções que por ella se regulavam. Respeitando as sinceras convicções do auctor aparto-me todavia do seu modo de ver um regimen que tanto admira, e persevero no juizo que á semelhante respeito hei por vezes formulado. Não sou partidario do systema que tende a aniquilar o alvedrio, reduzindo o homem ao triste papel do automato, mais ou menos amestrado, conforme a maior ou a menor perfeição do seu machinismo.

Assim pensando não applaudo a maneira porque foram expulsos das suas reducções os membros da Companhia de Jesus; e, com quanto esteja para mim provado que foram elles os motores da insensata resistencia que ás clausulas do tratado de 1750 oppuzeram os guaranis, censuro o emprego dos meios coercivos, e a impolitica dispersão d'essas miseras familias que com tantas fadigas ao redor dos campanarios jesuiticos se haviam congregado.

Acompanho o erudito sacerdote nas queixas que expande sobre a má gestão que desde essa epocha tiveram os negocios da catechese, e com elle lastimo que os administradores hespanhóes e portuguezes com a unica mira no lucro, exercessem todo o genero de delapidações e atrocidades; deixando d'esta arte desmoronar-se o magestoso monumento que fará o pasmo das futuras idades.

Curiosissimo é o quadro da população que contavam as missões do Uruguay ao tempo do exterminio dos jesuitas. Composto em presença de preciosos e incontroversos documentos tornam-se de subido valor estatistico e derrama abundantes luzes para exacta apreciação das forças de que dispunham, bem como dos elementos de prosperidade que por maldade, ou deleixo deixaram-se perecer.

Particular tendencia tem o laborioso ecclesiastico para este genero de trabalhos, admirando-se em seu importantissimo

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