Sayfadaki görseller
PDF
ePub

1719 Janeiro

9

mente com repetidas supplicas e memoriaes apresentados com a devida formalidade, fizemos instancia para que o dito Visitador quizesse dignar-se conceder-nos, para gloria de Deos e beneficio das almas, a licença de poder abrir a nossa Igreja, para poder nella publicamente celebrar o Santo Sacrificio da Missa. Deve saber Vossa Santidade que neste lugar de Chandernagor de Bengalla o nosso hospicio he distante da Igreja Parochial mais de mil passos, e não havendo na dita Igreja Parochial mais de uma missa, quasi sempre, e em certos tempos particulares, ainda nas festas mais solemnes e principaes, são constrangidos muitissimos christãos a ser privados de ouvir Missa, e não obstante isto, não só depois de havermos feito nós as sobreditas instancias ao mencionado Visitador, mas tambem depois à Companhia Real da India (sendo este lugar dos Senhores Francezes) tem feito com a devida formalidade similhantemente repetidas instancias ao sobredito Padre Visitador, como de cousa concernente, alem do commodo dos fieis, ao beneficio tambem do publico, em todo o modo elle não só se não dignou de dar in scriptis alguma resolução á nossa supplica, isentando-se disso com varios pretextos, mas finalmente vindo a nossa casa, como por termos da civilidade a pagar-nos a visita, se declarou abertamente que não podia dar tal consenso e licença, e a maior desculpa que allega he, porque não sendo a Bulla de Vossa Santidade passada pela dataria de Portugal, diz lhe não basta o animo a resolver por si cousa alguma, e que poderia elle padecer alguma vexação do Vice Rey, e ainda do Arcebispo Primaz de Goa, como affirma succedera a outro Portuguez em tempo do Patriarcha Antiocheno, Cardeal de Tournon: tanto mais que affirma dois dias antes tinha recebido com carta particular huma ordem expressa do Vice Rey e Arcebispo Primaz de Goa, encaminhada pelo Vigario Geral de S. Thomé de Meliapor, para que se não intromettesse neste nosso particular negocio como cousa dos Missionarios da Propaganda. Por tanto nós humilissimos oradores de Vossa Santidade aqui annexo lhe enviamos com copia das nossas supplicas feitas ao sobredito Visitador Ge

1719 Janeiro

9

ral hum attestado desta Real Companhia, no qual se declara havel-o assim feito, para que Vossa Santidade se digne conceder-nos absoluta faculdade para que se possa abrir a dita Igreja, e celebrar-se nella publicamente a Santa Missa, ao que accresce que estes Senhores Francezes se tem comnosco abertamente declarado, dizendo querem em todo o modo se abra pelos mencionados motivos a nossa Igreja. E portanto Vossa Santidade se queira comprazer de nos livrar de todo o embaraço, concedendo-nos benignamente com a sua Apostolica authoridade a dita absoluta licença para poder abrir a nossa Igreja, e para poder publicamente celebrar a Santa Missa, como fica dito.

Chandernagor em Bengalla, 9 de Janeiro de 1719. Humilissimos oradores de Vossa Santidade. -- Fr. João de Tans, Capuchinho Superior -- Fr. Paulo Maria de Matelica, Capuch. - Fr. Antonio Maria da Sesi, Capuch.

(Arch. da India, livro das Monções, n.° 84, fol. 370.)

Pastoral do Bispo de Macau

(Boletim da India, n.o 28 de 1853.)

1853 Julho 10

D. Jeronymo José da Matta, por Graça de Deus, e da Santa

Sé Apostolica, Bispo de Macau, do Conselho de Sua Magestade Fidelissima, que Deos guarde, etc., etc.

e

A todos os que estas nossas letras virem saude e paz em Nosso Senhor Jesus Christo, que he a verdade e santidade por essencia.

Fazemos saber que, tendo-se publicado em Bombaim huma carta a nós dirigida pelo Santissimo Padre Pio XI, em 10 de Marco ultimo, e sendo provavel que a mesma publicidade se de a outra, que igualmente nos foi dirigida pelo mesmo Santissimo Padre em 9 de Maio proximo passado, da qual se vè

1853 Julho

10

com evidencia que havémos sido atrozmente calumniado perante Sua Santidade, por falsas informações, que se lhe deram de que, prégando nós na Igreja de Nossa Senhora da Gloria de Masagão em Bombaim, pertenderamos illudir o auditorio asseverando fingidamente estarmos munido de licença, ou mandado Apostolico para exercitar os actos Pontificaes, que alli celebramos unicamente a pedido e com authorisação do Prelado Diocesano do Arcebispado de Goa, e só nas Igrejas da jurisdicção do mesmo Prelado; entendemos que exige o decoro e dignidade do caracter Episcopal, de que se acha revestida a humildade da nossa pessoa, e que he do nosso rigoroso dever desmentir os authores de tão odiosa intriga, declarando, como por esta declaramos solemnemente, em a presença de Deos e á face do mundo inteiro, que não só he falsa e iniqua aquella informação; mas huma atroz calumnia, que repellimos com justissima indignação, lamentando-nos ao mesmo tempo com o Psalmista insurrexerunt in me testes iniqui et mentita est iniquilas sibi.

Nós recitámos he verdade hum breve discurso na sobredita Igreja de Masagão, porém a nossa linguagem foi, como convinha ao nosso Santo Ministerio, a linguagem da verdade, da conciliação e da paz, e nem huma só palavra dissemos da qual se podesse directa, ou indirectamente colligir que estavamos munido de outra alguma licença, mandado ou authorisação, que não fosse a da authoridade Diocesana do Arcebispado de Goa; e em abono da sinceridade que preside a esta nossa declaração, appellamos para o testemunho imparcial de quantos nos ouviram naquella occasião, e tambem para o bom senso e probidade de todos os que nos conhecem, tanto na Asia como na Europa, os quaes, temos a consoladora segurança de que pelos precedentes da firmeza e integridade do nosso caracter, estarão habilitados para julgar-nos incapaz de descermos a tão infame baixeza e indignidade, como seria o mentir na mesma cadeira da verdade!!!

Temos ainda a convicção de que o mesmo Santissimo Padre, que muito bem nos conhece, e cujas rectissimas inten

1853 Julho

10

e

ções profundamente respeitamos, de nós não formaria hum tal juizo, se não fosse astuciosa e indignamente illudido por homens que não comprehendem a altura, e santidade de sua missão, ou não sabem elevar-se a ella, e que agora nos obrigam a vencer a repugnancia que sempre tivemos a sustentar polemicas pela imprensa, por entendermos serem ellas pouco proprias da posicão, em que por mercê Divina nos achâmos.

Dada em a nossa residencia da Raia, na provincia de Salcete de Goa, sob o nosso signal e sello das nossas armas, aos 10 de Julho de 1853. -(L. S.) Jeronymo, Bispo de Macau. - Por ordem de S. Ex.a Rev.ma o Conego Francisco Caetano de Santa Anna e Costa, Secretario.

1

Circular do Governador Geral da India ao ligario Geral do Norte

e aos Governadores dos Bispados Suffraganeos, e Missionarios

(Boletim da India, n.o 29 de 1853.)

1853 Julho 18

Ill.mo Sr. - Constando-me que alguns Ecclesiasticos illegalmente constituidos em authoridade nas differentes Missões e Bispados da Asia, que de direito incontestavel e imprescriptivel pertencem ao Real Padroado de Sua Magestade Fidelissima, tem empregado, de hum modo bem pouco conforme com os principios da moral christã e de honestidade, todos os meios que a ambição e desregrada cobiça pode suggerir a homens, para se apossarem das Igrejas das ditas Missões e Bispados, edificadas com grandes sacrificios e despezas pelos Portuguezes, e sustentadas ha mais de tres seculos pela piedade religiosa dos seus Reis, á custa do Thesouro Publico de Portugal; e chegando igualmente ao meu conhecimento que os supramencionados Ecclesiasticos remetteram ultimamente aos Governadores legaes dos Bispados, e aos Reverendos Parochos, cujos beneficios pertendem

1853 Julho

18

[ocr errors]

a todo o custo empolgar e fruir, hum Breve Apostolico, senão apocrypho, conseguido subrepticiamente do virtuosissimo Pontifice que occupa a cadeira de S. Pedro, no qual são ameaçados com suspensão de ordens, e de serem declarados schismaticos, aquelles dos legitimos Pasiores Evangelicos que se conservarem fieis aos seus deveres e não reconhecerem dentro de dois mezes a jurisdicção e authoridade contestavel e contestada, dos chamados Vigarios Apostolicos, ou agentes da Propaganda: cumpre-me na qualidade de Delegado de Sua Magestade a Rainha Fidelissima nesta parte do mundo, e a quem como tal compete manter e zelar os direitos e prerogativas da Corôa da mesma Augusta Senhora, recordar a V. S. se isso he necessario: 1.° que as cartas Regias de 5 de Abril de 1652, e 24 de Março de 1748, e muitas ordens da Côrte de differentes datas, prohibem a todos os subditos Portuguezes dar execução a qualquer Bulla, ou Rescripto Pontificio que não tenham o beneplacito Regio; 2.° que os principios da honra, e mesmo os que se acham consignados no Evangelho de Jesus Christo, obrigam a todo o homem honesto e bom christão a não entregar o alheio a alguem contra a vontade do seu dono; e 3.°, finalmente, que a Portaria n.° 2608 de 5 de Agosto do anno ultimo, do Ministerio da Marinha e Ultramar, que se acha publicada no Boletim n.° 41 do mesmo anno declara, que Sua Magestade Fidelissima está na firme intenção de não ceder das prerogativas que lhe competem, como Padroeira das Igrejas da Asia. Depois de tudo o que fica referido, eu tenho a certeza de que V. S.a considerará como irrito, e de nenhuma validade o Breve que acima mencionei, datado de 9 de Maio do corrente anno, e desprezará como merecem, as ameaças daquelles que tem a audacia, e não se pejam de exigir de hum Sacerdote, que seja traidor e pratique huma expoliação.

Deus guarde a V. S.a Nova Goa, 18 de Julho de 1853. Visconde de Villa Nova de Ourem. - Ill.mo Sr. Padre Antonio Mariano Soares, Arcediago da Sé Primacial de Goa, e Vigario Geral do Norte.

« ÖncekiDevam »